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perto de Paso Rodolfo Roballos, Santa Cruz (Argentina)

Outra noite fria e mal dormida, não sei se foi o chá ou o frio, mas foi difícil pegar no sono. Fiquei pensando um milhão de coisas e o tempo foi passando. O sol começou a clarear, mas não deu coragem de sair da barraca, já era umas 9h quando ele começou a sair de trás da montanha. Comecei a ajeitar as coisas e como ali tinha um fogão a lenha, cogitei a possibilidade de pegar água no Rio e esquentar pra tomar um banho de leve. Levei a barraca pra fora pra secar e fui andar pelo lugar. Haviam 4 casinhas e um paiol. Já todos desmontados. Quando levei a barraca pra dentro da casinha pra dobrar, trinquei uma vareta... Merda. Não podia deixar assim, sentei no branquinho pra arrumar e escutei o barulho de um carro que estacionou ali perto. Vi pela porta que um cara se aproximava. Falei bom dia e que dormi ali porque estava muito frio. Ele respondeu que não podia pois estava desmanchando as casas. Falei que já estava saindo só precisava arrumar a barraca. Ele falou ok e saiu. Acho que ele estava mais assustado do que eu pois montou no carro e saiu dali. Terminei de arrumar tudo, guardei na moto e saí dali. Ainda bem que não levei a frente essa ideia de banho. Ainda tinha 70km até Cochrane. Estrada ruim e muita vibração. Resolvi murchar um pouco os pneus. Melhor coisa que fiz. Moto parou de bater seco e ficou muito mais fácil controlar no rípio, só que não poderia abusar da velocidade, pois bater numa pedra ou buraco com o pneu mais murcho iria entortar a roda da moto causando um prejuízo enorme.


A paisagem era espetacular, muitas fotos e várias paradas. Cheguei em Cochrane meio dia e pouco. Cidadezinha bem bonitinha, totalmente voltada ao turismo. Passei em um mercadinho e comprei umas coisas. O valor das coisas assusta um bastante. E é complicado fazer a conversão e consegui pagar no cartão, mas a mulher do caixa não sabia passar meu cartão. Fucei na maquininha de cartão dela e descobri como faz. Ela só acreditou que foi quando pegou o comprovante na mão. Perguntei se tinha caixa eletrônico na cidade e ela me falou onde era o banco. Fui até lá e Sentei num banquinho em frente. Fui olhar o wifi do telefone e vi que tinha um Wi-Fi grátis do governo chileno, meia hora cada sessão. Conectei e mandei mensagem pra família. Fiz umas contas da km pra completar a Carretera Austral e saquei 100 mil pesos no banco, taxa de saque era 4200 pesos. Acho que deve ter dado uns 550 reais. Sai da cidade e vi uma placa dizendo os horários da balsa que vai até Rio bravo. Não entendi muito bem a placa. Só queria não perder muito tempo pois os horários eram fixos e apenas de dia. Saí de Cochranie 13:30 e sentido Porto de Yungay. Muitas obras na pista tive que desviar de várias máquinas. A paisagem é muito bonita, volta e meia precisava pra tirar uma foto.
Mas ainda estava com medo de perder a balsa. Então quando vi mais uma placa de horários da balsa, sai acelerado. Corri muito quase cai umas vezes. Os veículos que vem no sentido contrário não fazem muita questão de desviar, tiram em cima e passam raspando. Como gostaria de dirigir por aqueles caminhos com a Elis, ela iria adorar ver aquelas montanhas e florestas. Não sei porque, mas a paisagem me pareceu com o Canadá. Nunca fui, mas pelo que vejo na TV, deve ser igualzinho. Cheguei em Yungay as 16h em ponto, já imaginando que veria a balsa partindo e teria que ficar pro outro dia. Mas quando entrei na área de embarque, tudo estava parado, vazio. Andei um pouco pra lá e pra cá não vi ninguém. Fui numa cafeteria ali e vi um senhor. Perguntei pra ele se a balsa já tinha partido, ele disse que só sai as 18h, que alívio, essa não vou perder.
Sentei pra esperar a balsa que chegou umas 16:50 fui até lá pra avisar que eu ia, mas falaram que só sai as 18h. Definitivamente, essa não tinha como perder. O tempo passou rápido, chegaram mais uns veículos e a balsa partiu. Essa balsa é subsidiada pelo governo e não precisa pagar nada. Conversei com um motociclista chileno que também iria fazer a Carretera Austral. Ele estava com uma KTM 950 Adventure. Me mostrou o aro dianteiro, com dois amassados enormes e disse "lembranças da carretera, e você algum problema com a sua?" falei que não, até agora tudo tranquilo. Depois disso ele não quis muito papo. Acho q é por isso que big trail não tem roda 21 na dianteira. O perfil do pneu é muito baixo e isso deixa a roda mais exposta e muito suscetível a amassados. A viagem de balsa levou cerca de 40 minutos pelo Rio Bravo.

Que apesar do nome, estava super calmo, era como navegar por uma banheira. Chegando do outro lado e as motos saem primeiro. O cara dava KTM saiu acelerado, acho que é por isso que a roda entrou, cara estava num ritmo muito forte. Nem tentei acompanhar. Andar muito próximo só pega poeira e eu já não tinha mais tanta pressa. Pensei em chegar na vila de o Higgins e procurar um camping ou hostel mas acabei encontrando um lugar muito bom pra acampar do lado da estrada. Parece que era um pátio ou local temporário pra alguma obra.
Estudei um lugar que não ficaria à vista e armei a barraca. Estava começando a esfriar de verdade e tinha muita madeira ali, resolvi fazer uma fogueira pra esquentar. Ao invés de usar dois gravetos, achei mais fácil ascender um fogo com a chama do fogãozingo. Em minutos a madeira já estava estralando. Botei meio barril que achei por cima do fogo pra ajudar a direcionar o calor e não clarear muito longe, o que denunciaria minha posição.
Fiz janta, mas dessa vez não gostei muito do hambúrguer, fino e pequeno, malemá sujou os dentes. Incrível como que o calor do fogo é forte. Deixei uma fresta na porta da barraca pra facilitar a entrada do calor e de dentro do saco de dormir sentia o quentinho do fogo. Alimentei o fogo várias vezes, mas não durou muito e de madrugada já tinha se apagado. Aí começou o frio de verdade. Bateu um arrependimento de não ter armado a loninha por cima da barraca. Apesar de não estar ventando o frio vinha de todos os lados. Me cobri com a jaqueta pra ajudar a segurar o calor na região da cabeça. Ajudou, mas não foi uma noite das mais confortáveis.

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