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perto de Bajo Caracoles, Santa Cruz (Argentina)

Não foi a melhor noite de sono que tive. O termômetro da moto ainda marcava 4 graus as 9 da manhã. Quando o sol saiu de trás das montanhas, botei a barraca pra secar e tomei um café da manhã. Leite e café em pó como bolacha de agua e sal e doce de leite. Arrumei um as coisas e voltei pra estrada. Bem complicado sair dali. Passei por Bajo Caracoles e entrei na estrada que ia pra Cueva de Las Manos. Sitio arqueológico tombado pela UNESCO. 55km de rípio, mas em boas condições. A visitação é guiada e custa 400 pesos. Turmas de 20 pessoas a cada hora na alta temporada. A guia era muito simpática e falou devagar então pude entender quase tudo. Foi um tour bem tranquilo pois na turma só haviam mais 4 idosos. Muito interessante a história do lugar e o quanto conseguiriam descobrir sobre o povo que vivia ali só pelos desenhos e vestígios deixados no solo.

Levou cerca de uma hora a visitação. Acho que valeu a pena. Voltei pra Bajos Caracoles e abasteci a moto no único posto de gasolina do lugar. Esperei uns muitos pois o frentista estava almoçando. Pedi umas informações sobre como ir pro Chile por laguna Posadas. Ele me mostrou no mapa e disse como chegar lá. Eu tinha no meu GPS, mas as vezes as informações passadas por outras pessoas são mais valiosas. Seriam 150 km de rípio até o passo Rodolfo Robalo. O caminho era mesmo muito bonito. Exatamente como o gringo em Chalten disse, uma paisagem panorâmica a cada curva.
Cheguei no posto fronteiriço da Argentina, onde entreguei os papéis. Vi que tinha WiFi e não tinha senha, então conectei na rede e mande notícias pra família. Intenet via satélite movida a painéis solares.
Daí 10km era a aduana chilena. No caminho a vista era uma obra de arte, tirei várias fotos.
A aduana chinela foi rápida, só tive que preencher uns papéis e o guarda fez de conta que revistou a moto. Continuei o caminho e uns km a frente vi um uma caminhonete com motor home na caçamba parada fora da estrada. Diminui a velocidade e o cara fez um sinal pra mim, parecia que ele estava pedindo cigarro, ou fósforo. A mulher dele estava agachada mexendo em alguma coisa, pensei que eles queriam ajuda pra acender um fogo. Parei a moto e o cara perguntou se eu tinha maconha, eu disse que não, ele perguntou de onde eu era, falei Brasil. Ele falou: acabou a sua maconha? Que pena! E deu risada. Dei risada também e segui. Cada povo loco que a gente vê por essas estradas. Uns km pra frente vi uma estranha estrutura de ferro com cabos de aço subindo montanha acima, parecia um carrinho de ferro sobre trilhos. Mas abandonado.

Não teve jeito, tive que subir lá em cima pra ver o que era aquilo. Levei uns 40minutos pra chegar no começo dos trilhos. E não tinha nada. Mas uma estrada saia dali e seguia montanha a cima. Já que estava ali, não custava nada andar mais meia hora e ver onde ia. Andei quase 1km e no meio da estradinha vi um coco de um bicho. Era meio grande, provavelmente de médio porte e tinha muitos pelos. Mais uns metros pra frente, outro e mais fresco. Dessa vez tinha muito ossos. Parece que um grande felino caçador esteve por aqui. E nas montanhas só pode ser o puma. Na hora sumiu a vontade de explorar o lugar e resolvi voltar pra estrada e vazar dali. Na descida vi mais fezes de puma, provavelmente ali era território da algum. E bateu aquela insegurança em acampar. Já erra mais de 19:30 e aí não tinham muitas opções de lugares seguros. Uns km a frente, por sorte, vi escombros de casas de madeira e resolvi dar uma olhada. Parece que estavam desmanchando as casinhas e era bem recente. Ali deveria ser algum tipo de sede pra alguma empresa mineradora, porque tinha uns equipamentos de proteção velhos e adesivos de procedimentos. Um cômodo ainda estava de pé. Com uma parede semidestruída. Parei a moto do lado e fui verificar.
O telhado também estava furado e tinha muita sujeira dentro, mas tinha uma vassoura.

Em uma prateleira haviam vários saquinhos de chá, vai saber de quê era aquilo, mas pareceu em boas condições e resolvi esquentar um pouco d’água pra tomar aquele chá, não é uma janta, mas ajudaria a dar uma disfarçada. Não é o negócio mais gostoso que tomei, era estranho. Pensei que seria tipo um chá de camomila, mas não tinha nada a ver. Tomei tudo porque precisava me hidratar e a água quente ajudaria a esquentar. O lugar parecia ser um ninho de ratos, então não deixei nada pra fora dos baús nem no chão. Estiquei um varal pra por as roupas, jaqueta e as botas. Passava muito vento pelo buraco na parede, apesar de ter tentado tampar com um pedaço de compensado que deve ter caído do telhado. Também estava um pouco preocupado com a possibilidade de ter algum bicho ali. Dentro da casa estava relativamente seguro, mas sempre fica aquela ponta de incerteza.

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