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perto de Lapataia, Tierra del Fuego (Argentina)

18/03
Noite muito tranquila, dormi bem. Acordei umas 8h junto com todo mundo do quarto. Fui tomar café e checar a roupa que ficou secando. A roupa ainda estava úmida. Botei perto do aquecedor pra secar mais rápido. Tomei café, não tinha tanta opção, mas o croissant era bom e comi uns 10. Lembrei que a suspensão dianteira estava vazando óleo, melhor resolver isso antes que vaze tudo.

Fiz aquele esquema passar um pedaço de plástico por dentro do retentor e parece que funcionou. A roupa estava quase totalmente seca, mas já era 11:30 e queria ir logo ao parque nacional da Terra Del Fuego. Foi fácil chegar lá e a entrada é 490 pesos. O final da ruta 3 fica 14km a dentro por uma estrada de chão bem firme. Fui direto lá tirar a famosa foto na placa.

Registrado pra posterioridade. O parque possui várias trilhas todas demarcadas e indicadas no mapa que ganha na entrada, andei por todas que encontrei, exceto uma de 8km e duração estimada de 3h. Como já era 4h da tarde, se fizesse essa também, teria que contar com a volta de 8km e estava frio e nevando as vezes. O sol nem deu as caras. Ficar perambulando ali a noite parecia uma má ideia. Tirei muitas fotos, paisagens lindas e seriam ainda mais espetaculares se tivesse um solzão com céu azul.



Foi um dia especial.
Perguntei aos guardas do parque como era o esquema de camping ali e me informaram que haviam áreas de camping liberadas. Fui lá ver, era um gramado grande com alguns arbustos em volta do lado de um rio de geleira.
Quando cheguei só tinha uma barraca vermelha. Mas logo depois apareceu um grupo de brasileiros que estavam em uma van motor home e duas caminhonetes preparadas para acampamento. Placas de Foz do Iguaçu e Santa Catarina. Fiquei me coçando de vontade de conversar com aquele povo, mas primeiro fui montar o acampamento. Parei agora moto perto de uma pequena árvore pra poder amarrar uma corda e esticar a loninha. Se chovesse estaria protegido. Fixei bem a lona, pois estava ventando bastante. Amarrei em 4 pontos no chão com os specs da barraca e dois pontos na moto.
Montei a barraca e levei pra baixo da lona, com umas pedras ajudei a segurar a lona e a saia da barraca. Acho que vento não seria mais problema.


Levei as coisas pra cozinhar pra barraca e estava tudo pronto.
Fui lá bater um papo com o pessoal da van. Muito gente boa. Conversarmos por horas e me mostraram os veículos equipados.

Cada um com sua vantagem e desvantagem. Não vou entrar em detalhes dos veículos, mas bateu uma inveja boa daquele povo que estava sempre animado. Um dia vou fazer isso com a Elis. Me deram um pacote de macarrão e café, mas como eu estava sem massa de tomate devolvi. Estava cada vez mais frio e fui pra barraca fazer janta e preparar pra ir dormir. Arroz com o último pedaço de linguiça que trouxe de Matão. O hambúrguer de ontem estava mil vezes melhor. Fui ao banheiro do parque e deitei. Já era umas 9h e estava frio de verdade.
19/03
A noite foi meio tensa, muito fria, mas sem vento. Me cobri até com a blusa cinza. Senti frio na cara, mesmo de touca. Acordei umas 6:30 da manhã, mas não deu coragem de levantar. Quando era umas 8h escutei vozes lá fora e sai da barraca. Estava frio, muito frio. O painel da moto marcava - 1 grau. Geou a noite e cobriu tudo com uma camadinha de gelo.

Sorte que montei a loninha, que ficou toda branca e evitou que a barraca congelasse. Sem dúvida foi a uma das noites mais frias que já passei.

Só não ganhou daquela noite no Peru aos pés do monte Misty, nessa ocasião o suor condensado dentro da barraca congelou e ela estava exposta ao vento e sem cobertura, então a sensação térmica foi muito baixa, nem dormi direito.

Chegou a formar uma camada de gelo na poça d'água. Para pessoal da Van era tudo festa. Tirei várias fotos e estiquei a lona e a barraca pra secar. O sol ameaçou aparecer, mas não saiu de trás das nuvens. O gelo derreteu e a lona ficou encharcada. Esperei até as 10:30 e nada de secar. O jeito foi empacotar tudo molhado mesmo. Comi umas bolachas que trouxe e ganhei um café do dono da Van. Nos despedimos e eles saíram com os veículos. Saí logo em seguida de moto, todo empacotado e torcendo pra não chover.
Em Ushuaia tirei foto na famosa placa da cidade, não poderia ir embora sem essa foto.


O céu estava nublado, mas sem tempo de chuva. Deu pra ver as belas montanhas nevadas que cercam a cidade.
Abasteci e peguei a estrada q estava espetacular, montanhas nevadas e lagos azuis pelo caminho que na ida estavam escondidos pelo mau tempo, uma pena.

Segui até San Sebastián, onde abasteci novamente pra atravessar o trecho chileno e chegar a Rio de Gallegos/AR novamente. Aproveitei pra usar o wifi da conveniência e mandar notícias pra família. Comi um lanche e quando fui montar na moto vi um cara que se preparava pra sair também. Era um canadense que veio do Alasca até Ushuaia e agora iria pra Buenos Aires. Um ano e meio de viagem com a namorada na garupa da KTM. Fiquei impressionado com a história deles. Muita coragem. Ele disse que teve vários problemas com a moto. Principalmente na suspensão traseira que trocou 3x. Comentei dos problemas que tive com a minha e no final das contas conclui que não existe moto inquebrável. Todas dão problema, cedo ou tarde. Nos despedimos e segui pra fronteira com o Chile.
Lá nos encontramos novamente. Resolvi parar no caminho pra pegar um balde de plástico que achei na estrada. Estava pensando em fazer um protetor de bengala pra não entrar sujeira no retentor quando for andar na ruta 40 pois o guarda pó já estava ruim. Da estrada vi um morro que subia em direção ao mar e tentei subir a trilha com a moto pra ver o que tinha lá de cima. Não consegui ir muito longe pois a terra estava molhada e escorregadia, mas a vista era bem legal.


Mal sabia eu q esses minutinhos me custariam 3h mais pra frente. Quando cheguei na balsa, ela havia acabado de sair, vi eles subindo a rampa. Não tinha jeito, sentei e esperei pela próxima, que demorou meia hora. Quando todos os veículos desceram, apareceu o encarregado pelo embarque, que ia sinalizando e dizendo qual veículo deveria ir onde. Esperei até subir o último carro e nada do cara sinalizar pra mim. Fecharam a rampa, zarparam e eu fiquei ali. Fiquei puto e xinguei muito o cara, muita raiva, puta falta de sacanagem. A outra balsa demorou uns 50 minutos pra aparecer. Mas antes que os veículos saíssem, já fui conversar com o encarregado pra não me deixarem pra trás. Ele disse que dessa vez eu não poderia ir, pois ia embarcar um caminhão de combustível e por isso veículos pequenos não são permitidos. E não tinha o que fazer, normas da marinha. Essa era a terceira balsa que eu via saindo... Anoiteceu e 50 minutos depois a balsa que me deixou pra trás voltou. Fui reclamar com o encarregado. Ele virou pra mim e disse que não tinha me visto. Ia abrir a porta boca pra xingar o cara quando vi que ele era cego do olho esquerdo, justo o lado q eu estava... Putz que sacanagem, meu sentimento de raiva passou. Coitado do cara. Entrei na balsa, paguei os 360 pesos, desembarquei do outro lado e segui pra aduana. O cara da aduana Argentina lembrou de mim e perguntou se eu curti o passeio. Falei que foi ótimo e agora iria para El Calafate. Sai de lá já era umas 11h, muito frio e difícil encontrar lugar pra acampar. Por fim vi no mapa que havia uma estrada de chão a esquerda da pista uns km a frente, era tudo ou nada, se estivesse fechado não teria onde ir. Entrei e depois de uns km cheguei em um estacionamento onde montei acampamento.

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