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809 m
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525,41 km

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perto de El Chaltén, Santa Cruz (Argentina)

Acordei umas 7 e pouco, mas resolvi ficar deitado mais um pouco. Dez minutos depois ouvi uma voz do lado de fora da barraca. Abri o zíper da barraca rápidão, meio assustado, era o guarda do parque. Tranquilamente ele disse que ali não podia armar barraca e eu deveria guardá-la. Apesar da placa, não imaginei que realmente fossem vigiar isso. Falei que precisava de uns minutos pra ajeitar as coisas e já iria dobrar a barraca. Era 8:10 e até as 9 eu já teria saído dali. Ele disse que já era 9:10. Aí me pegou de surpresa. Aqui o fuso é diferente.
Dobrei a barraca, tomei café da manhã, lavei a louça e guardei tudo. Hora de ir embora. Quando estava passando pelo estacionamento de motor homes, ouvi uma voz "bye Rodolfo" virei e vi o casal de gringos de ontem. Voltei e fui lá conversar um pouco. Nick e Hanna eram europeus e estavam a 3 meses viajando pela América do Sul. Falaram dos planos e a epopeia que foi comprar e preparar o carro deles no Chile. Conversamos bastante e trocamos dicas de viagem. Quando vi já era quase meio dia. Me despedi, peguei água na torneira do parque e parti. Passei por Três Lagos novamente fui no camping roubar um pouco do Wi-Fi. Mandei notícias pra família e umas fotos. Quando sai, ouvi um som de alto-falante bem alto e lembrei que me disseram que haveria um evento na cidade esse final de semana. Resolvi ver o que era. Saindo da rua principal, peguei a segunda rua a esquerda e fui em direção ao barulho. A rua acabava em um riozinho e um barranco do outro lado. Um cara de cavalo desceu pelo barranco, atravessou o rio, passou por mim e foi embora. Se o cavalo passa minha moto também passa. Mirei num espaço entre duas pedras, e mandei a moto. Tinha duas crianças brincando na beira d'água que gritaram e pularam de lado. A moto foi parar de lá em cima. Como foi tudo muito rápido, assustou uma meia dúzia de cavalos que estavam de cotas. Quase derrubando as pessoas que estavam neles. Cumprimentei todo mundo e perguntei o que estava tendo ali.

Me disseram que era uma competição de cavaleiros e que iria começar dentro de uma hora. Já era 1 da tarde, não estava a fim de esperar tanto tempo pra ver o que iam fazer. Resolvi dar a volta no cercado e sair pelo outro lado. Foi aí que vi uma mulher cobrando entrada na portaria. Entrei por um lugar que não podia. Mas já estava de saída, então não tem problema. Voltei pra ruta 40, que era a rua principal da cidade e continuei norte. Acabou a cidade, acabou o asfalto. A partir daí seriam 75km de rípio, de novo. Mas como o sol estava forte desde o dia anterior, as condições da estrada estavam ótimas. Passei por uns trechos que dava pra ver onde o barro grudento secou e realmente esperar secar foi uma decisão muito acertada. Fiquei muito feliz e aliviado por ter esperado. Algum dono de BMW não foi tão feliz. Achei um paralamas dianteiro destruído na beira da estrada. Pelo barro grudado deu pra ter uma ideia de como estava. Continuei numa velocidade alta, pois parecia asfalto e em menos de uma hora já estava quase terminando os 70km. A moto sofreu um pouco, muita vibração e pedras. Mas saiu de lá sem um arranhão. Perto do final, vi um ciclista sentado do lado da bicicleta. Voltei pra perguntar se estava tudo certo. O ciclista, que era chileno, disse que o suporte dianteiro das bolsas quebrou e ele não sabia como iria continuar a viagem. Perguntei quais ferramentas ele possuía e o cara só me mostrou fita isolante e fitas de nylon. Ele estava tentando arrumar com isso. Falei que do jeito que ele fez não aguentaria nem 200m e sai pela beira da estraga procurando algo pra fazer um reforço. Problema que ali era um descampado desértico e não tinha nada. Achei uns pedaços de arbustos secos, peguei alguns e fui ver o que dava pra fazer. Usando o arbusto em formato de T deu pra fixar no garfo e no suporte.

Fizemos uns testes e pareceu muito firme. Ele ficou muito feliz, me agradeceu bastante. Me despedi e voltei pra estrada. 3 km depois acabou o rípio. Andei mais uns 30km em cheguei em Gobernador Gregores. Abasteci e usei o wifi do posto. Não achei hambúrguer na cidade, era domingo e o mercado estava fechado.
Hoje a janta seria vegetariana. Segui na estrada e já era quase 18h. A próxima cidade era bajo caracoles, em estava a uns 120km de distância. Asfalto ficou ruim em uns trechos, tinha alguns buracos e era preciso prestar atenção pra não cair em um. Quando passou das 19:30, comecei a procurar um lugar pra acampar. Uns 10 km antes da cidade a cerca da lateral da pista estava caída no chão, então dava pra entrar de moto. Andei uns 800m terreno adentro e escolhi o pior lugar possível pra armar a barraca.
Era uma pequena baixada e imaginei que estaria protegido do vento e escondido da estrada. Mas em compensação, teria que plainar toda a área pra botar a barraca. Acho que fiquei uns 40 minutos batendo a pá e tirando pedra até ficar razoável. Montei a barraca e me ajeitei. Fiz macarrão com molho de tomate e suco de laranja, comi umas bolachas de sobremesa. Não ventou muito, mas fez frio. A noite foi bem fria e não muito confortável.

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