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perto de Tres Lagos, Santa Cruz (Argentina)

Choveu a noite, ainda bem que estava com a loninha. Mas de manhã o céu já estava abrindo e o sol estava ameaçando aparecer. Fui esquentar água pro café e o gás acabou. Sorte que no dia anterior, eu vi um vidrinho de gás na prateleira do mercado e resolvi comprar. Não era do padrão que meu fogão usa, mas eu já tinha um bico adaptador pra transferir o gás desse tipo de recipiente pro tipo que o fogão usa. Foi um sucesso. E o legal é que esse tipo de botijão custa metade do valor. Acho que ainda não dava pra seguir em frente na ruta 40. Já que tinha o dia todo livre, resolvi voltar a El Chalten, pra bater uma foto do monte Fritz Roy. Era 35km pra atrás e mais 80 até El Chalten. Se fosse muito caro entrar no parque, só iria tirar uma foto de longe e pronto, no máximo perderia uns litros de gasolina. Quanto mais pro sul ia, mais o tempo abria. E de longe se via o imponente pico rodeado por montanhas nevadas.

A cada km ficava mais empolgado e não via a hora de chegar lá. Cheguei quase 1 da tarde e fui pedir informações no centro turístico. Pra minha feliz surpresa, os trekkings são de graça, não se paga nada pra entrar no parque, diferentemente do parque anterior. Haviam inúmeras trilhas pra fazer, todas em direção ao Fritz Roy. Puxa vida, precisaria de uma semana pra andar tudo aquilo. Haviam trilhas fáceis e curtas de 1km até as mais compridas e difíceis de 18km com pontos de camping. Meu tempo não daria pra fazer tudo, mais prometi voltar ali com a Elis pra conhecermos todo o parque.
No estacionamento em frente ao centro de informações haviam dezenas de motorhomes, vans e trailers ali parados. Todo mundo ali amante de trekking e natureza. Resolvi fazer a trilha mais fácil e perto dali. Mirador De condores, 1km de ida mais 1 de volta. Não vi nenhum condor lá no topo da trilha, mas a vista da paisagem era muito boa.

Na descida, vi uma placa que apontava pra outra trilha, Loma Del Pliegue Tumbado. 10km de ida, parei pra pensar um minuto. Era quase 14h, 2h pra ir e mais 2h pra voltar. Acho que dá. Errei feio. A ida era só subida, do começo ao fim, 10km morro acima. Foi exaustivo, no meio do caminho eu já estava molhado de suor. Resolvi tirar a camisa e a segunda pele. Ajudou a controlar a temperatura, estava frio, mas eu estava quente demais subindo a trilha na maior velocidade possível. No começo não vi ninguém, pensei que era uma trilha pouco usada, mas, da metade pra frente não parava de topar com o pessoal descendo. Muita gente, mais de 30.





A trilha era bem demarcada e a paisagem variava de todo jeito, campo aberto, florestas de arvores secas, arvores verdes, arbustos, pastos e pedras. Provavelmente estaria vazio quando eu chegar no topo. Deu sede e tomei água em pequeno afloramento que nascia no vão da montanha. Foi demorado e difícil, mas cheguei no mirador.
Tirei muitas fotos dessa linda paisagem. Valeu cada esforço pra chegar ali. Mais à esquerda ficava o morro Loma Del Pliege Tumbado. Tinha uma trilhazinha que ziguezagueava morro acima. Pensei em ir, mas precisava recuperar o fôlego primeiro. Aí apareceu um argentino, Lalo, que trabalha na Volkswagen e tem fotografia como hobby. Ele tirou dezenas de fotos e me emprestou seus binóculos pra ver as montanhas. Que negócio legal, preciso comprar um desses. Dá pra ver longe com muitos detalhes. Conversamos bastante e resolvemos subir o morro aí do lado. GPS dizia 700m horizontal e uns 600m vertical. Muito puxado, mas seria bacana ver o que tem lá em cima. Começamos e não dava pra subir mais do que 50m por vez. Muitas paradas pra respirar até que chegamos numa parede de pedra que era preciso uma pequena escalada, nada difícil, mas precisava usar mãos e pés.
Subi, mas o Lalo não quis ir, ele disse que tem medo de altura e não estava confiante na subida. Eu estava com a adrenalina a mil e Acabei de subir. Lá de cima tive uma visão mais ampla da cordilheira, espetacular.

Impossível descrever ou demonstrar em uma foto a sensação de ver aquilo. É realmente maravilhoso. Botei uma pedra no ponto mais alto do morro, olhando pro pico do Fritz Roy.
Hora de descer. Descida vai até rápido, muitas pedras soltas, mas é só manter o equilíbrio. Em poucos minutos alcancei Lalo que já estava indo embora, mostrei as fotos de como é lá em cima. Ele me parabenizou várias vezes por ter conseguido subir lá. E continuamos a descida. Conversamos muito no caminho, sofre todos os assuntos, ele já passou um tempo no brasil e gostava muito da música brasileira, conhecendo varias, muito mais do que eu, pra falar a verdade. Isso ajudou a passar o tempo e esquecer um pouco do cansaço. Meus pés estavam doendo demais. Na descida o pé vai pra frente e o sapato comprime os dedos. A cada passo sentia os dedos sendo esmagados contra o bico da botina. Mas não tinha muito como escapar, o negócio era manter o foco e descer. Lalo parava volta e meia pra tirar uma foto. Acho que levamos pouco mais de uma hora e meia pra descer, chegamos no ponto de partida umas 20:15.
Tiramos umas fotos na placa e nos despedimos. Fui para o estacionamento pegar a moto. Estava tudo como deixei. Me troquei e saí pra procurar um lugar pra acampar.
Fui no estacionamento de motorhomes logo em frente ao posto de informação ao turista e conversei com uns gringos, resolvi acampar ali, mesmo vendo uma placa dizendo que não podia armar barraca naquele local. Fui pra cidade procurar um mercado e comparar um hambúrguer. Voltei, arrumei as coisas e fiz janta. Arroz e hambúrguer com suco de limão. Enquanto esperava o arroz ficar pronto, estava ouvindo um barulho de plástico mexendo e vi um rato se revirando dentro do pacote de bolacha que eu malemá comi uma. Filho da puta. Pensei bem e resolvi jogar fora todo o pacote. 45 pesos jogados fora. Jantei e guardei as coisas dentro do baú pra não dar trela pra esse rato folgado. Ainda estava exausto, porém com a barriga cheia. Dormi tão rápido que nem botei o telefone pra carregar.

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