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  • Foto de Viagem Do século 20/03/2019
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Hora  7 horas 47 minutos

Coordenadas 11726

Enviada em 20 de Setembro de 2019

Registrada em Março 2019

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252 m
15 m
0
73
145
290,51 km

Visualizado 17 vezes, baixado 0 vezes

perto de Monte Aymond, Santa Cruz (Argentina)

20/03
Quando montei o acampamento estava frio, mas não tanto, e vento soprava forte. Durante a madrugada o frio surpreendeu e foi intenso. De manhãzinha não deu coragem de levantar, só sai da barraca umas 9h, quando o sol já estava mais quente. A barraca foi montada do lado da moto e de um arbusto pequeno e cheio de espinhos, pra ajudar a segurar um pouco o vento.

Quando sai da barraca vi o lugar que estava, era um parque municipal chamado Laguna Azul.

Já quase estava ali, vamos conhecer o lugar. De primeira pensei que seria apenas um lago. Mas que surpresa.

Pela foto não dá pra ter a menor ideia do tamanho daquilo. É uma imensa cratera vulcânica inundada tem até sinal de geleira com rochas gastas. Muita coisa deve ter acontecido ali nos últimos milhões de anos. Tentei imaginar, mas minha mente não consegue ir muito longe. Desci por uma encosta muito íngreme e cheia de pedras soltas, com certeza ali não era o caminho. Chegando lá em baixo deu pra ver o tamanho da beirada.
Andei toda a parte de baixo da cratera e vi o caminho de entrada e saída. Mas sair por ali teria que andar muito, é tão resolvi escalar uma crista de pedra. Que apesar de mais íngreme, era mais curto.
Lá de cima tive uma vista especial do lugar, valeu muito a pena ter ido ali. Ventada demais ali, a ponto de ter medo que o telefone escapasse da mão. Na borda da cratera dava pra inclinar pra frente que o vento segurava.

Já era quase meio dia então nem esquentei muito e resolvi não ter que pressa. Cheguei em Rio Gallegos, abasteci a moto, escovei os dentes e usei a WiFi do posto por uma hora. Passei em um mercado e comprei umas coisas pra fazer na janta e café da manhã. Sai da cidade e entrei na ruta 40. Os primeiros km foram tranquilos, mas já sabia que logo a frente teria o famosinho rípio argentino. E chegou rápido.

A placa dizia 95 km de chão. Como não conhecia fui com muita cautela. Esse rípio tem fama de ser difícil com trechos de pedras soltas e fofas que podem facilmente derrubar a moto em um momento de distração. A estratégia era ir tranquilo e sem apavoramento. E estava funcionando muito bem, passaram se 15km numa boa e a estrada nem estava ruim.
Resolvi parar e fazer uma proteção para a suspensão dianteira da minha moto, pois o guarda pó das bengalas já estava ruim e eu não queria nenhum problema com a suspensão pois ainda estava longe de casa.

Ficou uma obra de arte. Achei um saco vermelho quando ainda estava no asfalto e usei ele pra fazer uma manga enrolada em volta da bengala com abraçadeiras de plástico e silver tape pra manter tudo no lugar. 60km de rípio passaram rápido.

A paisagem era muito bonita com montanhas bem lá no fundo. Passei por uns vagões de trem e descarrilados. Estavam carregados com carvão mineral, nunca tinha visto desse jeito, peguei um punhado pra tentar botar fogo mais tarde. Uns 3km a frente havia uma fazenda, parei pra ver tirar foto pois achei que bonita.
E lá no fundo do caminho, saindo da fazenda vindo em direção a estrada tinha uma moto. Resolvi esperar pra conversar com o cara. Nome dele é Martin Leones e estava viajando pelo cone sul das América a dois anos ficando nas casas das pessoas que ele conhece no caminho. Ele tem um canal no YouTube, vou procurar depois. Conversamos por mais de meia hora e trocarmos informações sobre a estrada e pontos turísticos. Colei um adesivo dele no meu baú e nos despedimos. Segui o caminho e já era umas 6 e meia. Vi que no mapa que tinha mais uns 20km de ripio, então resolvi acampa por aqui mesmo. Na estrada asfaltada é complicado achar lugar um bom lugar pra acampar.

Achei uma ponte em construção, com vários vãos de concreto que cabiam certinho a barraca e a moto. Tomei muito cuidado pra botar a moto ali, haviam muitos pregos e pedaços de arame no chão. Furar o pneu ali seria muito ruim. Apensar de ter todo equipamento pra reparo de pneu sem câmara, é bom evitar esse tipo de problema.
Estiquei a lona pra segurar o vento, que estava canalizando ali. Ficou muito bom e fora da vista de quem passasse pela estrada que ficava logo ali atrás. Se bem que nas horas que fiquei por ali, só vi dois carros. A linguiça havia acabado então fiz uma janta especial com o hambúrguer de carne bovina que comprei no mercado de Rio Gallegos. Melhor refeição em dias. Isso mudou a dinâmica das refeições pro resto da viagem. Não é só porque está acampando e cozinhando que precisa comer mal. Arrumei as coisas e fui dormir com a barriga cheia.

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