Horas  17 horas 16 minutos

Coordenadas 2626

Uploaded 9 de Outubro de 2017

Recorded Janeiro 2010

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1.410 m
468 m
0
13
26
51,83 km

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próximo a Piódão, Coimbra (Portugal)

"A Serra do Açor é uma serra no centro de Portugal, junto à Serra da Estrela, que abrange áreas de seis concelhos, na totalidade: Arganil, Pampilhosa da Serra, parcialmente: franjas da Covilhã, Seia, Oliveira do Hospital e Góis, onde se localizam freguesias históricas como o Piódão, Vide, Avô, Fajão, e São Gião, nesta última freguesia começa a Serra do Açor.
A Serra do Açor faz parte da Cordilheira Central, de que fazem parte a Serra da Lousã, Açor e Serra da Estrela. Tem vários pontos de grande elevação, de que se destacam, O Monte do Colcurinho (1242 m de altitude), o Alto de São Pedro (1341 m), no Alto Ceira, o Cabeço do Gondufo (1342 m de altitude) perto deste cabeço a 1118 m de altitude, nasce o rio Ceira, temos ainda o Pico de Cebola (com 1418 m), ponto mais alto da Serra do Açor e distrito de Coimbra. Todos este locais, são zonas de grande beleza e pontos de interesse turístico a visitar. Aí se situa a área de Paisagem Protegida da Serra do Açor."

Esta travessia foi planeada para ser efetuada em 3 dias e estruturada desta forma:

Dia 1 - Piódão - Sobral de S. Miguel

Iniciamos o percurso no centro do Piódão, seguindo o troço Piódão - Foz de Égua - Chãs de Égua do PR2 AGN "Os Povos das Ribeiras de Piodam", pela margem esquerda da ribeira do Piódão. Percurso de particular beleza, que segue os caminhos de ligação aos lugares e campos de cultivo em terraços. A Foz de Égua é o ponto de encontro das ribeiras do Piódão e de Chãs de Égua. Lugar de especial beleza, com as tradicionais casas de xisto.
Daí iniciamos a subida até Chãs de Égua, com passagem pelo lugar de Eira da Bôcha, onde existe uma fonte de água fresca e uma mesa de apoio. Subindo contínuos lanços de escadas em xisto chegamos a Chãs de Égua. No Posto de Atendimento, existe um bar onde foi possível refrescar o interior e deliciarmo-nos com uma saborosa sandes de queijo da serra.
Deixando o PR2 AGN e continuamos a subida da serra do Açor através de um estradão em ziguezague até às Portas de Égua onde encontramos a GR22 "Aldeias Históricas" e abandonamos o concelho de Arganil e o distrito de Coimbra e rumamos a Sobral de S. Miguel, no concelho da Covilhã, distrito de Castelo Branco. Quando a GR22 ruma ao Picoto da Cebola, mantivemos a descida do estradão até encontrar (à esquerda) o PR1 CVL - Caminho do Xisto de Sobral de São Miguel.
Seguimos o troço do PR1 CVL, através do qual podemos admirar os currais e os imponentes socalcos. Caminhando por entre castanheiros, pinheiros e matagais, chegamos à majestosa Cascata do Vale das Vacas, uma maravilha natural. Na última fase do percurso passamos pela canada dos pastores e caminhamos ao longo da Ribeira da Cabrieira, observando os campos de cultivo e os respectivos sistemas de regadio.
Em Sobral de S. Miguel, a primeira paragem foi no "Ferrolho", pequeno bar cujo proprietário é um exímio artista na arte da escultura e pintura. Depois de dois dedos de conversa e umas fresquinhas a acompanhar, foi tempo de encontrarmos o casal que nos acolheria nessa noite.
Estavam concluídos os primeiros 17 km desta aventura.
(http://aldeiasdoxisto.pt/aldeia/sobral-de-sao-miguel)

Dia 2 - Sobral de S. Miguel - Covanca
Com a aldeia a despertar e os seus habitantes rumarem à Covilhã na primeira carreira do dia, demos início à etapa mais exigente, que nos levaria até à aldeia de Covanca, no concelho de Pampilhosa da Serra, com passagem pelo Picoto da Cebola (1418 m), o ponto mais alto da Serra do Açor. O caminho até ao Picoto da Cebola é exclusivamente através de estradões florestais, entre floresta de eucalipto e pinheiro bravo. De referir que o percurso implica a travessia da ribeira da Cerdeira, no lugar de Porsim, que agrega diversas ribeiras e cujo caudal depende da pluviosidade da ocasião. A seca extrema que vivemos facilitou esta travessia. Após a travessia iniciamos a subida de 8 km (900 m D+) até ao Picoto da Cebola. No caminho cruzamos o Marco Geodésico do Manhão (805 m), após a qual voltamos a acompanhar o troço da GR22 que liga o Piódão a Castelo Novo. Breve paragem para repouso e reforço alimentar na Capelinha de Stª Bárbara, onde se pode visualizar a aldeia de Cerdeira (norte) e de S. Jorge da Beira (sul). A partir daqui o declive aumenta e com o olhar fixado no Marco Geodésico do Picoto de Cebola "galgamos" os 3 km que nos faltavam para vencer os restantes 450 m de desnível.
Cume conquistado, fotos da praxe tiradas, demos início à descida até Covanca. A carta militar indica a presença de um trilho a meia encosta, mas que está totalmente coberto por vegetação alta. Sem vontade para voltar atrás e seguir pelo estradão que conduz às Meãs e onde há uma derivação para Covanca, optamos por nos dirigir à Malhada Chã, seguindo as marcações do Trail Estrela-Açor que iria ocorrer nesse fim de semana. Na Malhada Chã, após cruzar o Ceira, que nesta ocasião tem a nascente totalmente seca, tomamos um caminho que acompanha a margem direita do Rio Ceira até à Barroca da Pouchana e aí seguimos pela estrada até a Covanca.
Em Covanca, aldeia da freguesia de Fajão e concelho de Pampilhosa da Serra, distrito de Coimbra, situada entre a Serra do Açor e a nascente do Rio Ceira, fomos acolhidos pelo Manuel Luís da Sociedade União e Progresso de Covanca (Instituição de Utilidade Pública), que nos deu guarida e com quem degustamos um belo jantar.

Dia 3 - Covanca - Piódão
Às 6:00 a Sociedade União e Progresso de Covanca já fervilhava de atividade. Por volta das 6:30 eram esperados os primeiros atletas do Trail Estrela - Açor, que tinham partido 12 horas antes das Penhas da Saúde e que ali, 90 km já decorridos, teriam um reforço alimentar.
Às 7:00 o 1º concorrente dividia a sua atenção entre as diversas iguarias ao dispor e os conselhos do treinador.
Animados por aquele misto de alucinação e determinação e quando começou a chegar um lote de 100 concorrentes, rumamos à derradeira etapa que nos levaria de volta ao Piódão, com passagem por S. Pedro do Açor (1342 m).
Durante cerca de 3 km a estrada para a Malhada Chã, foi o trajeto escolhido. Na Barroca da Pequena fizemos um pequeno corta-mato por entre o pinhal, até encontrar o estradão que em ziguezagues sucessivos nos conduziu ao Alto de S. Pedro. Após calcorrearmos cerca de 3 km, encontramos uma casa em ruínas. Aqui existe um trilho alternativo, que em 600 m (D+ 300 m), leva os mais afoitos por subidas de desnível intenso ao Alto de S. Pedro. Era cedo e apesar do assustador incêndio que lavrava na zona de Porto da Balsa, optamos pelos 3 km de subida mais gradual. Às 11:00 estávamos no Alto de S. Pedro do Açor, com mais um cume conquistado. Os 360º de visão num dia quente e limpo (a nuvem de fumo ainda era pequena) propiciou-nos memórias visuais surpreendentes. Da majestosa Serra da Estrela à Serra do Caramulo os olhos são incapazes de absorver todo aquele rendilhado de declives e paisagens que nos fazem esquecer as dificuldades das subidas.
O Piódão estava já ali. Optamos por contornar e seguir o caminho mais longo e que nos levaria a entrar no Piódão pelo PR3 AGN Percurso Pedestre Açor/GR 22, com passagem pelo memorial a Miguel Torga, que inspirado por aquela beleza combinada da natureza e da arte do homem escreveu:

"Piódão, 7 de Abril de 1991
Com o protesto do corpo doente pelos safanões tormentosos da longa caminhada, vim aqui despedir-me do Portugal primevo. Já o fiz das outras imagens da sua configuração adulta. Faltava-me esta do ovo embrionário."
Miguel Torga

Cinquenta e dois quilómetros percorridos e um total de dois mil e quinhentos metros de subida acumulada, pelas 12:00, estava concluída a aventura que a minha companheira de vida idealizou e conjuntamente materializamos. Havemos de voltar, na primavera, quando as serras se encherem de cor!
A aldeia de Foz D’Égua pertence à freguesia do Piódão e com ela partilha a beleza mística da Serra do Açor. Caraterizada pelo seu aspecto rural serrano, com as típicas casas de xisto e lousa, circundadas por uma natureza quase em estado puro, é rica em espécies de fauna e flora que aqui encontram o seu habitat natural. Em Foz D’Égua situa-se uma praia fluvial de grande beleza, o ponto de encontro da ribeira de Piódão com a ribeira de Chãs, que correm em direcção ao rio Alvoco e cujo percurso é travado por uma represa criando um espelho de água.
Fonte e Mesa com bancos
As pegadas parecem terem sido executadas tendo como modelo os pés humanos, calçados e descalços, através da picotagem, principal técnica utilizada. A época de construção data da Idade do Bronze.

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