Coordenadas 14777

Uploaded 8 de Maio de 2018

Recorded Abril 2018

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2.045 m
549 m
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292
583,87 km

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próximo a Amendoim, Minas Gerais (Brazil)

Antes de viajarmos havia solicitado autorização do P E do Rio Preto e esse nos deu orientações para falar também com PE do Itambé. Nos forneceu o telefone do Sr. Santos e indicou o transporte para nos levar.
Chegamos no parque um pouco antes das 17 h (horário de fechamento). Só havia nós e um pai com o filho acampado. A diária do P E do Rio Preto está custando R$ 60,00. Ao pernoitamos temos isenção da entrada.
O restaurante quando tem poucos visitantes não funciona. Tivemos que fazer nossa comida no quiosque do camping. E o café da manhã tomamos no quarto.
Como lá tem sinal de wifi Filipe conseguiu confirmar com Lé de Sirley para o dia seguinte. Celular não pega nem mesmo onde a placa diz sinal da Vivo.
Às 7 horas o guarda parque veio avisar que ele havia chegado. Lé de Sirley (38) 99135044 (só tem 8 algarismos mesmo) é morador do entorno. Se não tivesse chovido teríamos ido pela bela estrada de terra. Mas tivemos que voltar tudo de novo até Serro. Lá pegamos a estrada que leva a Santo Antônio do Itambé. Queria nos cobrar R$ 500,00, mas choramos e fez por R$ 300,00.
Nosso contato no Parque Estadual do Itambé é a monitora ambiental Mariane (33) 34281372; e-mail - peitambe@meioambiente.mg.gov.br. A entrada é grátis. Ela reservou a casa reformada do pico. Com um salão imenso e alguns quartos serve de abrigo para os montanhistas. Há luz, tomadas, sinal de celular e janelas. Muito úmida em alguns cantos há goteiras. Caberiam umas vinte pessoas ali dentro.
Na guarita do parque nos identificamos. Lá estávamos sendo aguardados. O carro nos leva até onde a estrada permite. O que não é muito longe. Nos despedimos do falante Lé Sirley e começamos a andar pela estrada. Ela segue por um longo trecho até virar trilha onde há um casebre fechado. Aparentemente sendo usado pelo parque.
Um pouco antes da ponte pênsil uma chuva fina cai. Para nosso alívio rapidamente cessa. Nos vales ao redor chovia mais forte. Encontramos com o guarda parque saindo e ele estava acompanhado de um caminhante.
Finalmente chegamos a casinha. Montamos um varal para estender as roupas e saímos para pegar água na gruta. Usamos um dos galões deixados lá. É quando a chuva resolveu cair forte. Seguimos as plaquinhas, porém nas pedras a sinalização inexiste. Temos que subir e descer algumas até a entrada. Na gruta esquecemos de levar lanterna. Mas conseguimos captar a água de cor avermelhada. Tem que se ter muito cuidado pois há uma escada de madeira escorregadia.
A chuva caiu forte a noite inteira. Um denso nevoeiro tomava conta da paisagem. Levantamos e calmamente arrumamos tudo. Quando a chuva deu uma trégua consegui ir ao banheiro. Foi quando tive a dimensão do quanto havia chovido. Enormes bolsões de água formaram no cume. Partimos com o vento e chuva a nos acompanhar. Descemos com enorme lentidão e cuidado. Ao contrário da água que desabava e escorria formando cachoeiras na trilha. O que menos importava era estar molhada e sim chegar a base inteira. Cachoeiras vertiam da encosta do Pico formando uma imagem de rara beleza.
A chuva tinha diminuído de intensidade quando chegamos à casa do Sr. Lindomar - Lolô. Conferimos o trajeto e perguntamos da direção para casa do Sr. Santos e Dona Maria.
Nos indicou dois caminhos o primeiro era mais rápido (e foi esse que tomamos misto de estrada de terra e trilha) o segundo era pela trilha. Eles possuem um linguajar muito peculiar e algumas expressões tivemos que interpretar da nossa maneira.
Por causa da chuva andávamos sem parar. Até que em algum momento fizemos uma breve pausa para ir ao banheiro, sentar um pouco e lanchar.
Alguns minutos depois chegávamos na casa do Senhor Santos e Dona Maria. Ele não estava e ela de uma maneira simples e tímida nos recebeu da melhor forma possível. A comida levou quase 3 horas para ficar pronta mas estava incrivelmente deliciosa. Frango caipira, angu, couve, feijão, arroz e abobrinha ensopada. Típica comida mineira da melhor qualidade.
Com direito a um cafezinho plantado e colhido ali.
Estendemos todo o equipamento para secar numa cozinha coberta no meio do terreiro. Eles recebem grupos numerosos e fornecem mulas. O banho quente da serpentina me fez sentir gente de novo. Há luz de energia fotovoltática na região. A dela por alguma estranha razão não durava muito. Há telefone funcionando.
Senhor Santos na localidade Bica D’Água (38) 999062071. O pernoite foi R$ 30,00 e a refeição R$ 22,00.
No dia seguinte partimos bem cedo com nossa companheira inseparável a chuva. Dona Maria nos indicou procurar a casa do irmão Seu Geraldo “Gerardo” ou a esposa dele Dona Lurdes. A casa fica há cerca de uma hora dali. Ele nos ensinou um atalho que atravessa o rio e pega uma trilha. Voltaríamos para estrada de terra bem lá na frente.
Seu Geraldo nos ajudou bastante e até quis nos acompanhar mais adiante. Mas nós vimos ser desnecessário.
A chuva cessa e o sol aparece. Na escola Filipe aproveita o orelhão para ligar para casa. Enquanto isso colho goiabas na escola. Ali seria um lugar ideal para pernoitar. Em vez de ser na Dona Maria que é muito próximo da descida do cume.
A partir da escola não vemos mais habitações por perto. Elas existem mas dentro dos vales. A estrada passa a ser frequentada por motos e a cavalo. Fora dela vemos trilhos destes meios de transporte cortando pelo cerrado. Se o tempo estivesse completamente aberto sofreríamos com a falta de sombra. As chapadas belíssimas possuem alguns cumes que valeriam a pena subir. Mesmo com tempo encoberto vemos a imensidão daquele cerrado. Ao longe vemos a chuva cair nos vales. Pegadas de bichos cruzam nosso caminho. Um casal a cavalo passa trotando carregado de mantimentos. Por um instante no tempo e no espaço me sinto como se estivesse no livro Grande Sertão Veredas. Caminhando pelo sertão do cerrado mineiro.
Ao passarmos pela divisa do Parque Estadual do Rio Preto encontramos placas sinalizatórias e vamos em direção a casa dos guardas parques. Lá encontramos uma excelente infra-estrutura. Quartos, salas, cozinha, geladeira e até televisão. Eles chegam a cavalo, de carro ou de moto ao local. Somos recebidos por Ismael, Vágner e Lourival de Jesus Vieira. Esse último nosso condutor no dia seguinte.
Vágner e Lourival nos levam para o Pico dos Dois Irmãos de mula. Eu e Filipe vamos a pé carregando como mulas as nossas mochilas pesadas. Na cerca deixam os animais e nós as mochilas.
A trilha para o cume está muito bem sinalizada. Preferi fazer logo o pico, pois no dia seguinte poderia estar chovendo. Além disso teria que voltar um bom trecho até o cume.
Quando retornamos do pico eles amarraram nossas mochilas no lombo dos bichos. É quando testamos nossa resistência ao máximo estávamos extremamente cansados são quase trinta quilômetros nesse trecho. Inúmeras são as bolhas no meu castigado pé. Atrás no calcanhar, em baixo dos dedinhos surgem as de sangue. A bota que havia desmanchado no Cipó resiste com a cola. Ficamos sozinhos na imensa casa do Mozart. Um misto de eremita com ecologista. Morou sozinho no lugar até a morte próxima aos oitenta anos. Ela possui: sala, dois quartos( com beliches), cozinha com fogão a lenha e a gás (utensílios domésticos), um banheiro com vaso sanitário e água fria. Há colchões, roupa de cama não, possui luz fotovoltáica e é cobrada taxa de camping R$40,00/pessoa/pernoite.
No dia seguinte lá estava Lourival sem a mula às 7 h. No percurso fotografamos um bando de preás, uma cobra e vimos inúmeras pegadas de lobo guará. Inicialmente desceríamos pela Cachoeira do Criolo. Por causa das chuvas foi alterada para a trilha das corredeiras. Chegando lá constatamos que as corredeiras não dariam para fazer. Continuamos em direção a prainha. Eis que ali era impossível de atravessar por causa das chuvas. O rio crescera, pelas margens vimos os estragos causados pelas chuvas, correnteza forte, pedras submersas, muito fundo e largo. Subimos e descemos tentando encontrar uma passagem. Até que vimos um ponto estreito. O Lourival foi o primeiro atravessar. Levamos uma corda náutica e outra de varal. Jogamos uma corda e amarramos as mochilas. Passamos uma a uma. Depois foi a minha vez de criar coragem e enfrentar a correnteza. Quando estava quase chegando pedi para que jogasse a corda. Fui içada para margem a tempo. Pois estava cansada de nadar contra a correnteza. Por último foi Filipe que nadou de óculos para enxergar a direção e as plantas submersas.
No caminho Lourival passou um rádio para Valéria a responsável pelo restaurante guardar uma comidinha para gente.
Chegando ao alojamento dos guardas parques a comida estava na geladeira. Mais uma vez nossa barriga prevaleceu nas prioridades. Após aplacar a fome vamos arrumar as tralhas no carro e partir para o camping. Lá tomamos um banho quente e encontramos seu Fernando. A família era de Curvelo e estava visitando o parque. Prontificou-se a levar Filipe ao mecânico no dia seguinte. Nos indicou a pousada Bom Hotel LTDA, avenida Bias Fortes, 1591 - CEP 35790-000 - Curvelo - MG. Telefone: (38) 3722-5301 , 3721-7028. R$ 50,00 o pernoite por pessoa. No dia seguinte saímos por volta das 10:00 para o Rio. Chegamos por volta das 18 h.

4 comentários

  • Foto de BRTrekker

    BRTrekker 9/jul/2018

    Boa tarde Claudia e Berardi.
    Excelente relato!!!!
    Pelo que entendi, vocês foram de carro até o Parque do Rio Preto e o tal Lé de Sirley levou vocês até o início da travessia no Itambé! É isso mesmo? Quantas pessoas cabem no carro/van dele?
    Ao adentrar o Parque do Rio Preto, é obrigatório o acompanhamento de algum monitor até o final da trilha?
    Parabéns pela travessia. Essa região é linda demais!
    Abraços.

  • Foto de Marcelo Nunes Trekking

    Marcelo Nunes Trekking 1/ago/2018

    quantos dias?

  • Bdantas 13/ago/2018

    Boa noite, BRTrekker e Marcelo Nunes.
    Desculpem a demora em responder.
    O Lé de Sirley nos transportou de dentro do PERP (alojamentos), onde deixamos o carro para sairmos de lá ao final da travessia, a entrada do PEPI na manhã do 1º dia da travessia, quando subimos ao Pico do Itambé e pernoitamos. Fomos no carro dele, um Siena, que caberiam 3 pessoas. Como ele tem bastante contatos na cidade onde mora, acredito que consiga outras pessoas para fazerem o mesmo mas acho difícil encontrar veículos grandes, já que a cidade é pequena.
    A travessia foi feita em 4 dias incluindo o transporte do PERP ao PEPI (só iniciamos a caminhada às 11h) e no final a ida até Curvelo (chegamos no Parque por volta das 13h).

  • Foto de BRTrekker

    BRTrekker 30/ago/2018

    Boa tarde Bdantas!
    Obrigado pelo retorno e pelas infos!
    Vou tentar contato com o Lé de Sirley antecipadamente.
    Abraços.

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