Tempo em movimento  2 horas 25 minutos

Horas  6 horas 32 minutos

Coordenadas 1779

Uploaded 29 de Maio de 2019

Recorded Maio 2019

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2.251 m
1.180 m
0
2,8
5,5
11,05 km

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próximo a Granja Guarani, Rio de Janeiro (Brazil)

Roteiro geoturístico e didático com foco na interpretação ambiental da trilha para a Pedra do Sino (PARNASO).

Tradicionalmente representa o último trecho da travessia Petrópolis-Teresópolis, mas pode ser feita separadamente com pernoite no abrigo/camping, ou até mesmo em um bate-volta, opção que torna a atividade bastante desgastante.

Referências Bibliográficas:
- LUCENA, W. M. História do Montanhismo no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: PUBLIT, 2008.

- PESSOA, F.A.; PACHECO, F.F.; PEIXOTO, M.N.O.; MANSUR, K.L. Caracterização da Geodiversidade da Travessia Petrópolis-Teresópolis (Parque Nacional da Serra dos Órgãos, RJ). XVIII Simpósio Brasileiro de Geografia Física Aplicada, Fortaleza - Ceará, 2019.

- PESSOA, F.; ARAUJO, J.; SEOANE, J.C.; CAMBRA, M.F.; GIRALDO, S.; MARTINS, G.; MANSUR, K.; PEIXOTO, M.N. Geodiversidade e serviços ecossistêmicos em trilhas de montanha na Travessia Petrópolis-Teresópolis (Parque Nacional da Serra dos Órgãos, RJ). XII Simpósio Nacional de Geomorfologia, Crato - Ceará, 2018.
Ponto inicial da trilha, distante 3 km da portaria do parque. O caminho pela estrada até aqui passa na entrada das trilhas da parte baixa (Trilha 360, por exemplo) podendo ser observadas também a estrutura sede Teresópolis do PARNASO, como o Centro de Visitantes, onde é sugerida a visitação.O nome deve-se à barragem existente ao lado do estacionamento. Logo em frente temos a trilha suspensa.
Calçamento construído ainda no período imperial, antes mesmo da criação do PARNASO. A parte inicial da trilha está inserida em um ambiente florestal e possui significativo desnível altimétrico, no contexto do compartimento de relevo do Planalto Dissecado. Durante boa parte da trilha as montanhas dos municípios de Teresópolis e Friburgo podem ser observadas, e o canto da ave Saudade - identificado a partir de um longo e melancólico assovio - será marcante. Essa ave habita áreas montanhosas com floresta, especialmente entre 1200 a 2050 metros de altitude e é endêmica das montanhas altas na fronteira de São Paulo com o Rio de Janeiro, bem como na Serra dos Órgãos (RJ) e também alguns pontos no sul de Minas Gerais (Serra da Mantiqueira).
O Abrigo 1 foi construído no contexto dos primeiros anos após a criação do PARNASO, durante a gestão de Gil Sobral Pinto, entre os anos 1940 e 1950 (o mesmo se aplica aos abrigos 2 e 3). O Abrigo 1 localizava-se ao lado de uma pedra que constituía uma de suas paredes (local hoje denominado de "Toca dos Caçadores"). Este abrigo foi desfeito em virtude do deslocamento de tal bloco. Esses blocos de rochas são provenientes de partes mais elevadas da região e possuem fraturas provenientes de alívio de pressão e também influenciadas por características da geologia regional.
2 km foram percorridos. A cachoeira Véu da Noiva representa um nível de base local com presença de afloramento rochoso com foliação bem definida.
Nesse ponto existia o antigo Abrigo 2. Nos anos 1940 e 1950, destacava-se por seu ambiente acolhedor. Era todo em madeira e possuía um amplo refeitório rodeado de vinte beliches, além de banheiro com chuveiro e acomodações para um guarda e família. Chegou a possuir durante poucos anos instalação elétrica com gerador próprio. Atualmente, apenas a área onde o abrigo existia pode ser observada a partir de um olhar atento - saindo um pouco da trilha, uma área mais plana e com vegetação um pouco mais esparsa. Olhe a foto e use sua imaginação.
Aqui estamos inseridos em uma cicatriz de um antigo deslizamento. Deslizamentos ou Escorregamentos são movimentos de solo e rocha que ocorrem em superfícies de ruptura. Quando a superfície de ruptura é curvada no sentido superior (em forma de colher) com movimento rotatório em materiais superficiais homogêneos, o movimento de massa é classificado como Deslizamento Rotacional. Quando o escorregamento ocorre em uma superfície relativamente plana e associada a solos mais rasos, é classificado como Deslizamentos Translacionais. Na presente cicatriz, especificamente, tivemos um Deslizamento Rotacional onde boa parte da vegetação já foi reestabelecida. A partir de um olhar atento, diversas cicatrizes podem ser observadas na Região Serrana.
Ponto de água, que aflora a partir das fraturas presentes na rocha, o que demonstra a interação entre as estruturas locais com a hidrogeologia.
Este abrigo era todo em alvenaria e possuía dois dormitórios com beliches, refeitório, cozinha e banheiro com água encanada. Atualmente, apenas a base desse antigo abrigo se mantém. A partir dele é possível acessar um mirante com vista privilegiada da cidade de Teresópolis, vale a pena conferir.
A paisagem observada a partir desse mirante, além de possibilitar discussões a respeito da evolução urbana da cidade de Teresópolis, permite perceber um pouco do Contexto serrano regional. Montanhas e picos do parque e da Baixada da Guanabara evidenciam como as rochas influenciam no relevo. Essas rochas foram originadas em um ambiente de colisão de placas tectônicas que resultaram na formação do Paleocontinente Gondwana, o qual incluía a maior parte das zonas de terra firme que hoje constituem os continentes do Hemisfério Sul - neste caso, especificamente, um choque de placas litosféricas entre os continentes Sul-americano e Africano. Essas rochas são representadas por gnaisses do Complexo Rio Negro (~630 milhões de anos), gnaisses graníticos do Batólito da Serra dos Órgãos (~560 milhões de anos) e maciços graníticos pós-colisionais - Granito Andorinha (~480 milhões de anos). Nesse ponto, por exemplo, estamos em cima do Batólito da Serra dos Órgãos. Já o Granito Andorinha encontra-se nos topos (Pedra do Sino, por exemplo) evidenciando sua maior resistência aos processos intempéricos e erosivos.
Esse bloco de rocha marca a cota 2000 metros de altitude, com mudanças no compartimento de relevo: deixamos para trás o Planalto Dissecado e passamos a caminhar sobre o Planalto do Sino, o que altera significativamente a paisagem. Essa cota altimétrica implica na alteração da vegetação - os campos de altitude, com presença de solos encharcados e acúmulo de matéria orgânica, passam a predominar. Esse ecossistema, de aspecto herbáceo-arbustivo aberto e seco, desenvolve-se sobre os afloramentos rochosos e solos rasos, com elevado índice de endemismo (espécies que só ocorrem nessa área). A partir de agora os afloramentos rochosos tornam-se mais presentes. A cota 2000 (e próximo dela) marca bifurcações importantes para outras trilhas da Serra dos Órgãos, como o Mirante do Inferno e Pedra do Papudo, por exemplo.
Esse abrigo foi inaugurado em 2001 e conta com opções de pernoite em beliche ou bivaque, além das áreas de camping, com um limite de 100 pessoas no total. As vagas devem ser previamente agendadas no site do PARNASO ou na portaria do parque com a aquisição dos ingressos. Na área que hoje existe o Abrigo 4, existia o chamado "Abrigo dos Guinle", o qual foi erguido no tempo em que as terras do PARNASO pertenciam à família Guinle. Era um abrigo para caçadores no trecho final da trilha da Pedra do Sino, denominado de "Campo das Antas". Em estado precário foi derrubado na primeira gestão do Parque, quando foi erguido o Abrigo 4, então com dois dormitórios com beliches, cozinha e banheiro externo. Já o abrigo atual, como afirmado anteriormente, foi construído somente em 2001. Atrás do abrigo existe uma trilha que leva à Pedra da Baleia, onde é comum os visitantes que pernoitam no abrigo apreciarem o nascer do sol, principalmente os que estão realizando a Travessia Petrópolis-Teresópolis.
Desse ponto é possível observar vários picos da Serra dos Órgãos, como o Morro do Papudo e a Verruga do Frade, por exemplo. Também é possível observar a área do Parque Estadual dos Três Picos, com destaque para a montanha de mesmo nome. O ambiente serrano contrastando com a baixada da Baía de Guanabara impressiona.
Com altitude aproximada de 2.200 m, a litologia do local é marcada pela presença do Granito Andorinha, representado por blocos que chegam a 10 metros de altura. O formato observado, importante patrimônio geomorfológico, é originado a partir da combinação entre atuação intempérica, litologia e estrutura, sendo perceptivelmente diferente do seu entorno. Essas rochas foram formadas em grande profundidade, com alta pressão e temperatura, há cerca de 480 milhões de anos. Quando trazidas à superfície da Terra, devido à diminuição brusca da pressão (descompressão adiabática) essas rochas se quebraram em blocos, formando Fraturas de Alívio, que são posteriormente retrabalhados por erosão eólica e pluvial.
A Pedra do Sino é o ponto culminante da Serra dos Órgãos, com 2.275 metros de altitude. Sua conquista ocorreu em 1846 pelo botânico escocês George Gardner. Sobre o Granito Andorinha e no compartimento geomorfológico do Planalto do Sino, é possível observar as bacias hidrográficas da Baía de Guanabara (ao sul) e do Piabanha (ao norte) e todo um conjunto de montanhas de boa parte do Estado do Rio de Janeiro. A paisagem é impressionante e o destaque pode ser dado para as formas de relevo que podem ser observadas para todos os lados até onde sua visão consegue alcançar. O relevo da Serra dos Órgãos foi formado há “apenas” cerca de 60 milhões de anos, a partir do soerguimento das rochas existentes, que se formaram em profundidade e foram trazidas à superfície da Terra para nossa apreciação. Destaca-se, então, o grande lapso de tempo desde a formação de seu embasamento cristalino (rochas) até o seu relevo atual (expresso na paisagem). Alteração e erosão destas rochas durante milhões de anos esculpiram o relevo, processo que perdura até os dias atuais. Sobre as paisagens predominantes na Serra dos Órgãos, elas são resultantes de uma combinação de intemperismo diferencial entre gnaisses (menos resistentes, comuns na base) e granitos (mais resistentes, comuns no topo), com forte incisão nos vales ao longo de falhas e fraturas subverticais. Como exemplos podemos citar diversas paisagens observadas: Castelos do Açu, Dedo de Deus e Garrafão. Em direção à baía de Guanabara, fica evidente a escarpa serrana, representada pela escarpa de falha e pelos vales da escarpa de falha, áreas com impressionante desnível altimétrico que marcam a mudança do relevo dos planaltos em direção à Baixada da Guanabara. No geral, as maiores escarpas rochosas do Brasil, ou paredões com mais de 45º de inclinação, têm altura de aproximadamente 700 metros e extensão de até 1.000 metros. A área de maior ocorrência fica na Serra dos Órgãos, panorama que pode ser visualizado em 360º a partir da Pedra do Sino. Para aqueles que irão pernoitar no abrigo, recomenda-se o pôr do sol desse ponto e aguardar mais um pouco para ver o acender das luzes da Região Metropolitana do Rio de Janeiro - para isso, não esqueça da lanterna para garantir sua segurança na descida até o Abrigo 4.

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