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Coordenadas 3022

Uploaded 22 de Abril de 2019

Recorded Abril 2019

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89,8 km

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próximo a Samarra, Santarém (Portugal)

ESTRADA NACIONAL 2 (EN2) – PORTUGAL

De todas as estradas de Portugal, há uma com uma mística e algo de lendário que a distingue das outras, e à qual foi dado o nome de Estrada Nacional nº 2. Antiga Estrada Real, é a maior da Europa e foi projetada como ligação entre Chaves e Faro, num percurso único e vertiginoso que atravessa mais de 30 municípios. É a estrada nacional mais extensa de Portugal e a única a atravessar o país de lés a lés. Ao longo dos seus 738 km, num percurso vertiginoso pela espinha dorsal do país, atravessa 36 municípios, 11 distritos (Vila Real, Viseu, Coimbra, Leiria, Castelo Branco, Santarém, Portalegre, Évora, Setúbal, Beja e Faro), 8 províncias (Trás-os-Montes e Alto Douro, Beira Alta, Beira Litoral, Beira Baixa, Ribatejo, Alto Alentejo, Baixo Alentejo e Algarve), 32 concelhos, 11 rios e 4 serras, passando pelo interior das povoações e ligando paisagens tão diferentes como as vinhas durienses, as planícies alentejanas ou as praias algarvias. É a terceira estrada mais extensa do mundo, logo a seguir à rota 66 dos Estados Unidos e à rota 40 da Argentina.

O troço da EN2 confunde-se com a própria história, sendo que muitos segmentos já eram as principais vias romanas que atravessavam a Lusitânia. Com o passar do tempo, as principais vias foram sendo melhoradas e ligadas umas às outras e até ao final do séc. XIX, grande parte daquela que é hoje a EN2 já era Estrada Real. Em 1884, o percurso de Faro a Castro Verde passa a designar-se Estrada Distrital nº 128. Com a implantação da república a estrada chega a Beja e ganha o título de Estrada Nacional nº 17, passando a chamar-se mais tarde a Estrada Nacional nº 19. Um dos grandes projectos do Estado Novo era a criação de uma estrada que ligasse o país de lés a lés pelo centro, e a partir de 1930 começaram a ser alcatroados os troços de pedra e de terra e construídas as ligações necessárias, até que em 1945 é classificada a Estrada Nacional nº 2. O troço que liga Almodôvar a São Brás de Alportel foi, em 2003, classificado como Estrada Património devido ao riquíssimo património que a envolve, fazendo parte da primeira edição em livro das estradas património em Portugal, lançado pelas Infra-estruturas de Portugal. Na Foz do Dão, Santa Comba Dão, a estrada atravessava a imponente Ponte Salazar que estabelece também os limites dos concelhos de Santa Comba Dão, Penacova e Mortágua, divide os distritos de Coimbra e Viseu e separa a Beira Litoral da Beira Alta, hoje submersa pela Barragem da Aguieira. O trajecto efectua-se actualmente pela ponte resultante do paredão da barragem.

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INFORMAÇÃO: por razões logísticas, optei por iniciar esta rota em Faro, subindo o país até ao seu centro geodésico, próximo de Vila de Rei, onde concluí a primeira fase. Num futuro próximo, reiniciarei a rota em Chaves, descendo o país até ao mesmo ponto onde terminei a primeira fase, concluindo assim este projeto.

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EN 2 - ETAPA 4: Abrantes - Constância - Castelo de Almourol - Sardoal - Penedo Furado - Vila de Rei - Museu da Geodesia (Melriça)
É uma vila portuguesa pertencente ao Distrito de Santarém, região Centro e sub-região do Médio Tejo, com cerca de 900 habitantes. Constância é uma bonita vila, sede de concelho, situada no Centro do País, aninhada entre os bonitos rios Tejo e Zêzere, numa espécie de Península, muitas vezes apelidada de “Vila Poema” por ter sido local de residência do grande poeta Português, Luís de Camões, que nela se terá inspirado para algumas das suas obras. Constância ergue-se orgulhosa de branco vestido pela encosta acima, com a pureza dos rios a seus pés. Nas suas estreitas ruas de branco caiadas respira-se história, alegradas por flores, cores e paz de espírito. A sua antiga história está indissociavelmente ligada a estes dois importantes rios que a banham. Outrora apelidada de “Punhete”, aqui viveram Iberos, Romanos, Visigodos e Mouros. Constância viveu muito do transporte fluvial, da construção e da reparação naval, da travessia e da pesca. A sua realidade alterou-se com a chegada do caminho-de-ferro, no século XIX, e do transporte rodoviário, em meados do século XX, e com a construção das barragens que a circundam, virando-se cada vez mais para a indústria turística. O seu rico património apresenta monumentos como a sobranceira Igreja de Nossa Senhora dos Mártires, com o tecto pintado por José Malhôa, de onde se tem um idílico panorama, e outros como a Igreja da Misericórdia do século XVII, as Igrejas de Santo António e de São Julião, a Casa Memória de Camões, onde terá o Poeta vivido entre 1547 e 1550, o Pelourinho da vila, ou a Ponte Metálica sobre o rio Zêzere, importante obra de Gustavo Eiffel. Constância é afamada também pelas suas festividades, como a Festa de Nossa Senhora da Boa Viagem, na Páscoa, quando a vila se enfeita de papéis coloridos, tasquinhas, e animação pelas ruas, com o ponto alto na 2a feira, quando acontece a antiga procissão de barcos ornamentados.
Situado numa pequena ilha escarpada, no curso médio do rio Tejo, o Castelo de Almourol é um dos monumentos militares medievais mais emblemáticos e cenográficos da Reconquista, sendo, simultaneamente, um dos que melhor evoca a memória dos Templários no nosso país. As origens da ocupação deste local são bastante antigas e, por isso mesmo, enigmáticas. Alguns autores referiram a possibilidade de aqui se ter instalado um primitivo reduto lusitano, ou pré-romano, posteriormente conquistado por estes, e com vagas de ocupação ao longo de toda a Alta Idade Média. Fosse como fosse, o certo é que em 1129, data da conquista deste ponto pelas tropas portuguesas, o castelo já existia e denominava-se Almorolan. Entregue aos Templários, que então efectivavam o povoamento entre o Mondego e o Tejo, sendo mesmo os principais responsáveis pela defesa da capital, Coimbra, o castelo foi reedificado e assumiu as características arquitectónicas e artísticas essenciais, que ainda hoje se podem observar. Através de uma epígrafe, colocada sobre a porta principal, sabemos que a conclusão das obras deu-se em 1171, escassos dois anos após a grandiosa obra do Castelo de Tomar, mandada edificar por Gualdim Pais, cuja actividade construtiva à frente da Ordem, nas décadas de 60 e 70 do século XII, foi verdadeiramente surpreendente. São várias as características que unem ambos, numa mesma linha de arquitectura militar templária. Em termos planimétricos, a opção por uma disposição quadrangular dos espaços. Em altura, as altas muralhas, protegidas por nove torres circulares, adossadas, e a torre de menagem, verdadeiro centro nevrálgico de toda a estrutura. Estas últimas características constituem dois dos elementos inovadores com que os Templários pautaram a sua arquitectura militar no nosso país. Com efeito, como deixou claro Mário Barroca, a torre de menagem é estranha aos castelos pré-românicos, aparecendo apenas no século XII e em Tomar, o principal reduto defensivo templário em Portugal (BARROCA, 2001, p.107). A torre de menagem do castelo de Almourol tinha três pisos e foi bastante modificada ao longo dos tempos, mas mantém ainda importantes vestígios originais, como a sapata, que nos dá a dimensão geral da estrutura. Por outro lado, também as muralhas com torreões adossados, normalmente providas de alambor, foram trazidas para o ocidente peninsular por esta Ordem, e vemo-las também aplicadas em Almourol. Extinta a Ordem, e afastada a conjuntura reconquistadora que justificou a sua importância nos tempos medievais, o castelo de Almourol foi votado a um progressivo esquecimento, que o Romantismo veio alterar radicalmente. No século XIX, inserido no processo mental de busca e de revalorização da Idade Média, o castelo foi reinventado, à luz de um ideal romântico de medievalidade. Muitas das estruturas primitivas foram sacrificadas, em benefício de uma ideologia que pretendia fazer dos monumentos medievais mais emblemáticos verdadeiras obras-primas, sem paralelos na herança patrimonial. Data, desta altura, o coroamento uniforme de merlões e ameias, bem como numerosos outros elementos de índole essencialmente decorativa e muito pouco prática. No século XX, o conjunto foi adaptado a Residência Oficial da República Portuguesa, aqui tendo lugar alguns importantes eventos do Estado Novo. O processo reinventivo, iniciado um século antes, foi definitivamente consumado por esta intervenção dos anos 40 e 50, consumando-se, assim, o fascínio que a cenografia de Almourol causou no longo Romantismo cultural e político português.
O Sardoal é uma bonita vila, sede de município, da região Centro de Portugal, situada entre a lezíria Ribatejana e a paisagem serrana da Beira, muitas vezes apelidada de “Vila Jardim”. A vila é caracterizada pelo seu casario branco adornado de faixas coloridas e flores, fazendo lembrar a arquitectura típica da região Alentejana, vai descendo desde o topo da colina onde se situa, com bonitas ruas calcetadas com seixos retirados do rio. As origens do Sardoal são bastantes remotas, com diversos vestígios de presença humana desde tempos muito antigos, como alguns objectos de pedra polida encontrados no alto de São Domingos, e vestígios de uma povoação antiga no Lugar de Cabeça de Mós, bem como um troço de uma calçada Romana, a Sul de Valhascos e outro próximo da Ponte de São Francisco. Os Mouros terão conquistado o território aos Visigodos em 716, e em 1148 D. Afonso Henriques terá ocupado o Sardoal. No Sardoal terão permanecido diversas vezes vários Monarcas, tendo nascido aqui a Infanta D. Maria, Filha de D. Duarte e de D. Leonor, sua mulher, que morreu no dia seguinte. Sardoal foi também muito abalada com as primeira e terceira Invasões Francesas. Sardoal tem orgulho no seu rico Património, como a Igreja Matriz do século XVI com grandes obras do pintor renascentista Mestre do Sardoal, a Igreja da Misericórdia fundada em 1509 com um bonito Portal de Nicolau de Chanterenne, ou a Igreja de São Mateus, o Convento de Santa Maria da Caridade, do século XVI, a Cadeia Velha, a Casa Grande ou dos Almeidas (século XVIII), a Capela de Nossa Senhora do Carmo, o Chafariz das Três Bicas, a Casa do Adro, a Fonte Velha, os Moinhos de Vento ou mesmo o Painel de Gil Vicente. Muito afamadas são as Festas do Concelho que acontecem no mês de Setembro, animando as ruas com muita animação, incluindo uma importante Mostra de Artesanato de produtos regionais. Outro dos eventos importantes da vila acontece na Semana Santa, com uma imponente Procissão dos Santos Passos.
As características do maciço rochoso fazem da Praia Fluvial do Penedo Furado, bastante arborizada, um autêntico paraíso, oferecendo um conjunto de pequenas quedas de água, visíveis a escassos metros, que podem ser apreciadas ao percorrer um estreito caminho talhado na rocha. Esta é a estância balnear mais procurada do concelho de Vila de Rei, não só pela sua água límpida e cristalina que lentamente vai correndo pelo leito, através de uma passagem natural na rocha, mas também pelas infra-estruturas. Este local é indicado para programas de família, pois a água tem pouca profundidade. A praia é também bastante procurada por campistas. O local permite a realização de diversas atividades desportivas, tais como pedestrianismo, escalada, rappel, slide ou canoagem, sendo um espaço polivalente de recreio e lazer. A água desta praia é classificada nos últimos anos como Boa e/ou Excelente. Na zona mais elevada, existe um rochedo gigantesco com uma enorme abertura de feitio afunilado, que dá nome à praia, onde foi criado o Miradouro do Penedo Furado, de onde é possível admirar a magnífica paisagem de serras e montes revestidos de pinhais, a ribeira do Codes, a albufeira da Barragem do Castelo do Bode e algumas casas das povoações envolventes. Do lado direito do miradouro, existe um nicho com a imagem de Nossa Senhora dos Caminhos, após a qual existe um trilho lateral que permite passar à zona mais baixa do penedo, e descer até à praia fluvial, passando pela denominada “Bicha Pintada”. A “Bicha Pintada”, localizada na margem direita da Ribeira do Codes, abaixo do miradouro do Penedo Furado, é um fóssil que, segundo alguns estudiosos, se crê que tenha mais de 480 milhões de anos, inserido no topo de uma camada de quartzito cinzento-escuro, com 30 cm de espessura. Próximo do Miradouro do Penedo Furado, existe o Miradouro das Fragas do Rabadão, onde existe uma via-sacra e um pequeno santuário, cujas estatuetas foram oferecidas por populares, de onde se pode apreciar a paisagem até à albufeira de Castelo de Bode e onde se inicia um trilho confluente com o trilho do miradouro anterior, com ligação à "Bicha Pintada". No local existe também o Trilho das Bufareiras, percurso pedestre linear que culmina na Praia Fluvial do Penedo Furado e que conduz depois por caminhos antigos e plenos de mistério até à zona das Bufareiras, local de uma paisagem invulgar, fruto do maciço rochoso envolvente, por onde se descobrem várias quedas de água naturais, sendo um dos locais mais emblemáticos da região e importante atrativo turístico do concelho. O Penedo Furado é um dos locais mais místicos da região. Mitos, contos e lendas que o povo foi passando de geração em geração, fazem também parte da História do Penedo Furado e deixam a imaginação popular aliar-se a toda a beleza do espaço envolvente.
Vila de Rei é uma bonita vila, sede de concelho, situada na região centro do País, considerada mesmo o ponto mais central, por se encontrar a cerca de 2km da vila, na Serra da Melriça, o Centro Geodésico de Portugal, de onde se tem um fantástico panorama. A ocupação humana da região remontará a tempos pré-históricos, tendo sido habitada por Celtas, Romanos e Mouros, antes da reconquista Cristã. Após o primeiro foral concedido pelo Rei D. Dinis em 1285, o território foi doado à Ordem dos Templários e à de Cristo. Já no início do século XIX a região sofre com as Invasões Francesas, recuperando lentamente às investidas. A vila está rodeada de extensas áreas de Pinhal, e vive hoje em dia da agricultura, serviços e algumas industrias, que privilegiam da sua localização central. Uma das maiores curiosidades naturais de Vila de Rei é o famoso Penedo Furado, um bonito local arborizado dotado de um conjunto de pequenas quedas de água e dois miradouros, munido de variadas infra-estruturas que o complementam. No agradável centro histórico da vila vale a pena conhecer a Igreja Paroquial, do século XVIII, e as Capelas da Misericórdia, da Senhora da Guia e de Nossa Senhora do Pranto e a Casa do Capitão Mor, construção nobre do século XVII, utilizada como quartel general durante a época das invasões francesas, e hoje adaptada a uma unidade de turismo rural. Destaca-se igualmente o Castro de São Miguel de Amêndoa na Serra da Ladeira, a cerca de 493 metros de altitude e habitado na Idade do Ferro, as fantásticas Quedas de Água de Poios ou a próxima aldeia de Xisto de Água Formosa, situada na margem da ribeira da Galega. O Museu da Geodésia é outro dos pontos de interesse da região, situado no Picoto da Melriça, bem no centro do País, bem como o próprio Museu Municipal de Vila de Rei, instalado na antiga Casa do Patronato, um edifício tradicional da vila, com uma rica colecção etnográfica. Perto, situa-se a fabulosa Barragem de Castelo de Bode, proporcionando paisagens magníficas e reunindo perfeitas condições para a prática das mais variadas actividades de lazer e turismo.
Apenas 1,8Km depois de sair de Vila de Rei em direcção à Sertã, encontrará o desvio para o Picoto da Melriça, onde se situa o Centro Geodésico de Portugal. Significa que está exactamente no centro do país. Com uma altitude de 600m, este local permite ao seu visitante uma visão de 360º sobre um horizonte vastíssimo, em que se destaca a Serra da Lousã e, com tempo limpo, a Serra da Estrela - quase a 100 kms de distancia. Neste local existe o Museu da Geodesia. Um marco geodésico de 1ª ordem, edificado em 1802, estabelece o Centro Geodésico de Portugal. O Museu de Geodesia é um espaço museológico dedicado à Geodesia (ciência relativa à forma e dimensões da Terra e de outros corpos celestes), onde são apresentados instrumentos e painéis informativos. Na visita ao Museu de Geodesia pode solicitar o diploma de visita ao Centro Geodésico de Portugal. O local possui um excelente miradouro e um parque de merendas.

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