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próximo a Covas do Rio, Viseu (Portugal)

A Primavera é uma das melhores alturas do ano para partir à descoberta de novas paisagens em Portugal. O “Caminho do morto que matou o vivo” é certamente uma das mais deslumbrantes experiências para esta altura do ano, porque é uma estação fantástica, com muitas das árvores e plantas em flor…
A serra de São Macário é um berço de lendas que persistem pelos séculos. Uma das histórias mais conhecidas, que dá o nome ao percurso, tem origem num episódio duplamente infeliz. Diz-se que, há décadas atrás, devido ao facto de a Pena não possuir cemitério, os habitantes tinham que levar os defuntos para Covas do Rio. Certo dia, e como o percurso inicial é muito íngreme, um homem escorregou e o caixão caiu-lhe em cima, matando-o. Lenda ou não, o episódio é plausível de ter acontecido em tempos idos: o caminho é difícil, escarpado, escorregadio e traiçoeiro... mas muito bonito, acompanhando entre escarpas a ribeira de Pena.
Ao redor do monte existem várias aldeias solitárias que vão sobrevivendo ao abandono. Se há locais míticos que nos ficam na memória e que descrevemos com entusiasmo aos nossos amigos. O Lugar da Pena e Covas do Monte são dois destes locais…
No cimo do vale de memórias, as fragas adensam-se numa livraria geológica de suster a respiração. Lá no fundo, entre as sombras, o ribeiro galga a penedia melancólica por entre a vegetação exuberante. Com terras a perder de vista, dispersas, avistam-se aldeias mágicas, “abandonadas”, com o dom de atraírem quem as olha. Por lá, os mortos já não contam histórias e os vivos, poucos, cada vez menos, aprenderam a tirar da terra o que precisa para viver, tentando resistir ao abandono.
É impossível ficar indiferente às incontáveis vistas proporcionadas pela natureza, que tem a capacidade, bem conhecida, mas sempre subestimada, de nos surpreender com os seus matizados, de escavar passagens de água onde a rocha parece omnipresente, de proporcionar socalcos aráveis, quase ínfimos, de criar formações incríveis, a desafiar as leias da estabilidade ou a fomentar a fantasia de quem as observa.
É mesmo um percurso que surpreende e muito, pois parece que estamos noutro país, remoto, selvagem: paisagens fantásticas, destacando-se os tons róseos da urze e os amarelados das carquejas e dos tojos, sítios fabulosos, aldeias "perdidas", quase desertas, teste à capacidade de superação física, florestas autóctones, cursos e quedas de água, cabras às soltas, que sabem o caminho para casa, …
Para os amantes da natureza este percurso é obrigatório!

Algumas recomendações:
* ir com tempo: 6 a 7 horas, recomendado;
* calças (à prova de tojos, carquejas, urze, moiteiras) e calçado com bom rasto;
* evitar dias quentes (acima de 25º C).
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