FernandaLz
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Tempo em movimento  49 minutos

Horas  5 horas 26 minutos

Coordenadas 473

Uploaded 9 de Agosto de 2018

Recorded Agosto 2018

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próximo a Inhotim, Minas Gerais (Brazil)

Inhotim
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Galeria Valeska Soares

Nessa obra uma das principais características da nova concepção do espaço- tempo é evidenciada. Dessa vez, ainda, o processo de materialização das ideias da obra coincide com o princípio da arte contemporânea, uma vez que o próprio espectador é protagonista da construção do pensamento transmitido pelo artista. A estrutura interna da galeria é composta por inúmeros espelhos meticulosamente posicionados, que refletem não só a imagem de dançarinos mas também do próprio espectador da obra. Desse modo, quando o espectador vê a si mesmo várias vezes nos diversos espelhos, a pessoa, que até então era única, passa a ser “múltipla” (reproduzida diversas vezes em situações distintas). Pode-se pensar nessa passagem da obra como uma alusão à transformações dos conceitos físicos: o tempo deixou de ser único, invariável e absoluto. Ainda, assim como a movimentação dos dançarinos na obra, o tempo não é rígido, mas sim um fluxo, pura mobilidade. Ademais, pode-se perceber na obra a íntima relação moderna entre espaço e tempo, uma vez que o reflexo do espectador em cada espelho (simbolizando o tempo) é alterado na medida em que a pessoa transita pela galeria: enquanto ela aparenta ficar mais próxima de alguns reflexos, dos outros, ela afasta cada vez mais. Logo, num mesmo espaço, em um instante específico, há diversos “tempos” (reflexos). De modo que, qualquer perturbação nesse espaço (no caso no interior da galeria) provoca modificações no tempo (nas imagens refletidas pelos espelhos).
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Giuseppe Penone - Elevazione

Com o advento da Modernidade e consequente constante alteração do conhecimento cientifico, houve uma transição da concepção de “tempo absoluto, invariável” para a ideia de “espaço-tempo intimamente relacionados”. Nesse contexto no qual o tempo não depende apenas do instante avaliado, mas também do momento, daquilo que ocorre ao redor de um corpo, percebe-se que um mesmo instante é diferente para cada situação (espaço) no qual é avaliado. De maneira prática, o tempo é diferente para alguém que transita com uma velocidade próxima a da luz quando comparado a uma pessoa correndo na esteira. Logo, quando se pensa no fluir do tempo de maneira distinta para cada espaço, percebe- se que o novo coexiste com o velho. Não há mais distinção entre passado, presente e futuro quanto momentos absolutamente desconexos. Na verdade, tais conveniências temporais criadas pelos seres humanos existem simultaneamente num mesmo instante. Na obra, há uma clara relação entre o “novo” e o “velho” na medida em que a “árvore morta” é alicerçada por outras “árvores vivas”. Há o passado e o presente existindo simultaneamente em um mesmo espaço. O tempo, por conseguinte, flui de maneira distinta para cada uma dessas árvores: enquanto a árvore “morta” é decomposta, gradativamente, pela ação microbiana, o passar do tempo para as árvores “vivas” implica na realização da fotossíntese, regeneração das folhas, produção de flores e frutos etc. Ou seja, as mesmas árvores estão em tempos relativos distintos.
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Troca - Troca

Nessa obra, uma das principais alterações no conceito de espaço e tempo a partir da eclosão da era moderna (de que o tempo não é único) é materializada metaforicamente nos fuscas. Os carros tem exatamente a mesma estrutura: são fuscas, com 4 portas, 4 rodas, 2 faróis etc. Desse modo, fazem referência ao mesmo fenômeno: o tempo. Contudo, externamente, cada fusca é composto por fragmentos coloridos dispostos de maneira tal que um carro torna-se completamente diferente do outro. Logo, o fenômeno que era, até então, único, transformou-se em uma dimensão particular de cada carro, relativa a outros fatores. Pode-se pensar, por conseguinte, na nova concepção de espaço-tempo consoante a modernidade. Assim como a aparência externa dos carros é alterada pelos fragmentos coloridos que os compõem, o tempo, quanto dimensão fluida, imbuída de mobilidade e em pleno fluxo, pode ser moldado conforme as perturbações provocadas sob o espaço. De modo que, ademais, da mesma maneira que cada carro tem sua particularidade, o tempo não é absoluto, tem suas próprias características conforme o espaço mutualmente ligado a ele. O nome da obra em questão, para mais, ao titular a transmutação externa dos carros de “troca-troca” remete, ainda, à transformação e dualidade do próprio tempo, que vive em “troca”, é constantemente remodelado. Não há um único tempo, da mesma maneira que não há um fusca idêntico ao outro. O tempo é um jorro de novidades, sucessão de estados os quais não se repetem, assim como as inúmeras partes que compõem os carros, elementos estruturais dispostos aleatoriamente.
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Galeria Lygia Pape

A construção da obra em questão ocorre a partir da disposição meticulosa de fios e do uso da luz e sombra a fim de criar uma ilusão de ótica no espectador. Desse modo, a medida que o espectador se aproxima dos fios, aquilo que ele enxerga é alterado, uma vez que fios parecem mais próximos quando na verdade, estão distantes. Pode-se analisar esse efeito com a relação entre espaço e tempo, o distanciamento e a proximidade entre dois corpos altera, além do espaço relativo entre eles, o tempo; assim como a aproximação dos fios modifica a percepção do espectador.

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